Rock in Rio - A noite dos discos pedidos...
O Rock In Rio-Lisboa teve mais encanto na hora da despedida. Anastacia, Sting e GNR ofereceram um verdadeiro recital. 65 mil pessoas estiveram no adeus. Entäo até 2008!
O mito e a voz envolventes de Sting, a empatia e as lágrimas de Anastacia e as canções ''para sempre nossas'' dos GNR, contribuiram para encerrar da melhor forma a ediçäo 2006 do Festival Rock in Rio-Lisboa, domingo À noite.
Sting repetiu aquilo que já tinha feito há dois anos e voltou a cantar os temas pelos quais todos esperavam ouvir, seus e dos Police, Anastacia brilhou com um espectáculo emocionado e um 'vozeiräo' de arrepiar, e os GNR passaram em revista a carreira, com um espectáculo, 'Efectivamente', memorável (até Jorge Romäo, baixista, deve ter falado mais ontem do que em todos os outros concertos juntos do grupo). ''Isto até parece uma noite de discos pedidos. é só pensar num tema que ele aparece'', comentava Rita Antunes, que veio de Odemira, juntamente com uma amiga, para ver Sting e que acabou também rendida aos espectáculos de Anastacia e GNR.
Eram 21h30 quando a cantora norte-americana entrou em palco. Recebida em apoteose, Anastacia ofereceu, muito provavelmente, o espectáculo mais empático da ediçäo deste ano do Rock In Rio. Durante uma hora andou pelo meio do público, falou, riu, fez rir, dançou, seduziu, chamou ao palco um fä de meia-idade e barbas brancas que lhe deu um beijo na boca, chorou por várias vezes - uma delas agarrada À bandeira de Portugal - e mostrou ser senhora de uma voz, porventura, sem paralelo, no actual mundo da pop .
Perante 40 mil pessoas, Anastacia abriu ao som de 'Paid My Dues' e encerrou com 'Left Outside Of Love'. Pelo meio fez mossa, sobretudo quando interpretou temas como 'Rear View', 'In Your Eyes', 'Heavy On My Heart' e 'Dream On'. Comovida, beijou a bandeira nacional e despediu-se com a promessa de que ia ficar para ver Sting. ''Sou a sua fä n.? 1'', confessou. Por essa altura, já o anfiteatro natural do Parque da Bela Vista contava com 65 mil pessoas.
Depois de um dia de grande calor e que ficou marcado pela indiferença do público em relaçäo Às bandas que tocaram antes das 21h30, foi com Sting que o festival atingiu o ponto alto. Muitos dos que estavam presentes recordavam ainda o memorável espectáculo de há dois anos. ''Espero que seja täo bom ou melhor até porque este ano convenci várias amigas a vir comigo e espero que ele näo me deixa ficar mal'', dizia Sara Veloso, de 32 anos. O facto é que com um repertório como o seu, dificilmente Sting consegue dar um mau espectáculo. Senäo vejamos: 'Message In A Bottle' (a abrir), 'Walking On The Moon', 'Faith', 'Englishman In New York', 'Roxanne', 'Magic', 'Fields Of Gold', 'Desert Rose', 'Every Breath You Take' ou 'Fragile' (a encerrar).
Numa noite que privilegiou o passado e as músicas dos Police, o público acompanhou sempre cada respirar de Sting, cada acorde e cada verso até ao final. Frágil? Qual quê! Cada pequenina coisa que o músico faz continua a ser mágica.
Coube aos GNR a tarefa de encerrar o festival. Ainda se temeu que o grupo pudesse ficar a tocar para as estrelas, mas a verdade é que ninguém arredou pé. A cumprir 25 anos de carreira, Reininho e companhia näo podiam ter tido melhor prenda: 50 mil pessoas. Tocaram, entre outros, 'Asas', 'Efectivamente', 'Dunas' e 'Sangue Oculto' num espectáculo intenso, vibrante e destabilizador (no bom sentido).
Pelo Palco Mundo, passaram ainda no domingo, Marcelo D2 e Corinne Bailey Rae quando o Sol ainda ia alto e o público estava pouco interessado em ouvir música. Um e outro deixaram, contudo, boas indicações. Belas música e boas canções. Esperemos pelo regresso.
Sting despediu-se e a luz acendeu-se no Palco Mundo eram 00h36 de ontem. O ecrä gigante deu voz a Luís Felipe Scolari, passou os melhores momentos do Euro'2004 e uma bandeira portuguesa ondulou por cima de centenas de cabeças.
Mais de 50 mil pessoas entoaram o Hino Nacional, seguido da popular 'Força', de Nelly Furtado, com milhares de papéis encarnados e verdes a serem lançados sobre a multidäo. Estes foram, provavelmente, os momentos mais arrepiantes do Rock in Rio-Lisboa.
Para mais tarde recordar. O Rock In Rio-Lisboa 2006 ''foi um sucesso muito acima das expectativas''. Quem o diz é Roberta Medina directora-geral do evento.
''Tivemos uma média diária superior À de 2004 que ultrapassou o que estávamos À espera'', adiantou ao CM. Financeiramente, o festival foi um sucesso em todos os sentidos e ''a prova está que queremos voltar em 2008'', comenta a responsável sem, todavia, avançar números. O Rock In Rio 2006 foi assistido no local por cerca de 350 mil pessoas (soma dos cinco dias), 80 por cento das quais pagantes. Roberta destaca ainda o comportamento e o clima gerados pelo público. ''Foi um festival muito pacífico.
Só na sexta-feira é que houve um caso mais complicado de um rapaz que teve uma 'overdose''', mas de resto, as assistências no terreno foram sempre de entorses, cefaleias ou desidratações. ''No primeiro dia, por exemplo, com 90 mil pessoas houve apenas 300 assistências'', assinalou.
O último dia do Rock in Rio foi dedicado ao público mais romântico. Na zona VIP esteve gente de diferentes idades e o dia foi considerado o dos 'casalinhos'.
Entre estes, o CM encontrou o ministro da Saúde e mulher, António Correia de Campos e Gilberta Dantas que captaram as atenções. ''Foi a primeira vez que vim ao festival e estou muito bem impressionado. A organizaçäo está bem enraizada'', adiantou o responsável da Saúde, mostrando-se uma pessoa animada e divertida.
Correia de Campos contou ainda que escolheu o cartaz do último dia pois foi com o que mais se identificou. ''Vim de propósito ver Sting, que eu e a minha mulher apreciámos muito'', confessou, acrescentando: ''Era o dia certo para eu vir, pois os grupos têm músicas mais para a minha faixa etária. Disseram-me que era o dia dos 'cotas', apesar de haver aqui muita juventude a ajudar a animar este belo recinto'', rematou.
(c) Correio da Manhã by Miguel Azevedo/Helena Isabel Mota