A primeira imagem do Estádio Nacional, durante a actuação dos Fiction Plane (a banda do filho de Sting), era desoladora. Parecia até que se tratava de um concerto com uma banda menor, mas, À medida que os minutos para o concerto dos Police se foram escoando, o recinto foi enchendo até quase esgotar (excluindo a zona das bancadas). E foi com naturalidade que se ouviu um coro imenso quando as luzes se apagaram. O palco estava pronto e o público também. Passavam 17 minutos da hora inicialmente prevista para a entrada dos Police (21.30).
Começaram por atacar 'Message In a Bottle', com um "Boa Noite Lisboa" pelo meio. Tal como se previa, os Police não alteravam o alinhamento escolhido para esta digressão, o que ficava comprovado logo de seguida com 'Sinchronicity II' e 'Walking On The Moon', já com direito a coro popular. Sting treinara o seu português na apresentação de Andy Summers e Stewart Copeland, perguntando de seguida se estava "tudo bom".
A espera valera a pena. As terríveis filas no acesso ao Estádio Nacional não tinham esmorecido uma banda que, apesar de uma longa pausa, comemorava 30 anos com uma digressão única e irrepetível. Muitos foram os que se queixaram do preço dos bilhetes, acabando por ir para o relvado quando a preferência eram as bancadas. Talvez por isso, esta fosse a zona mais despida do Estádio Nacional numa noite bastante fria.
Para grande parte do público, foi o reviver da adolescência. Por isso, os antigos êxitos passaram de boca em boca num sentimento de partilha geracional. Ao contrário dos festivais e de grande parte dos concertos, a juventude tinha ficado em casa e, desta vez, os pais também tiveram direito a divertir-se. Para o sexo feminino, a presença de Sting num palco tão grande era também motivo de grande excitação. Ainda por cima, o vocalista da banda monopolizava um ecrã só para si, com uma realização que não escondeu o quão magro se encontra.
Sem ser uma grande produção visual - os Police sempre valeram mais pela música - nenhum pormenor foi descurado. À boa forma da banda, facto de assinalar para quem não tocava em conjunto desde 1985, juntava-se um belíssimo anfiteatro natural capaz de tornar esta noite diferente das outras. Afinados e coordenados, Sting, Andy Summers e Stewart Copeland não mostraram sinais de velhice.
Foram duas horas de espectáculo com muito rock'n'roll À mistura, o que significa que houve espaço para solos. Os três ecrãs que individualizavam cada um dos músicos não esconderam as rugas mas provaram que esta é uma banda e não apenas o grupo de Sting.
Na primeira parte, os Fiction Plane não desmentiram aqueles que os classificam como a banda do filho de Sting. O timbre é tão semelhante que as comparações são inevitáveis. Competentes sem deslumbrar, aqueceram uma noite que só mais tarde se viria a revelar memorável.|
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